terça-feira, 8 de dezembro de 2009

8 DE DEZEMBRO

o menino é um recém-chegado de outros mundos.
anunciador de uma distância íntima. de onde nascer
é revelar

sinal de uma viagem a um viver separado.

memória. vaga memória. de brisas além da terra
em mares de aprofundar.

ele é o Anjo enviado de nossos reinos secretos. a este
mundo de fora onde depois da infância nos encontrámos
habitando. sem saber de outro lugar.

mas o menino é de longe. a Boa Nova soada de praias
além do mar.

rosto voltado aos cantos da distância.
olhos despertos ao acenar do longe.

de onde vieste e ainda lembras sem saber lembrar?

eco de mundos de silêncio o teu silêncio. menino
de silêncio olhando.
presença de um Real chamando.
além das vozes. das coisas. e dos gestos.


Beatriz S. Branco, 1969

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um menino... como o Outro


A ORIGEM DO NATAL

"Nascimento do Deus Sol Invencível" era o tema da grande festividade romana que comemorava o solstício de inverno no dia 25 de Dezembro. Outras celebrações, como a “Saturnália”, em honra ao deus Saturno, tomavam conta da Europa neste mês, entre 17 e 22 de Dezembro, ainda no século 3 d.C. Em momentos simultâneos da história, cristãos comemoravam as diferentes etapas da vida de Cristo, buscando testemunhos do dia exacto de seu nascimento, enquanto pagãos celebravam a chegada da luz e dos dias mais longos ao fim do inverno. Foi somente no ano de 354 d.C que o Papa Libério, querendo cristianizar as festividades pagãs entre os vários povos europeus, instituiu oficialmente a celebração do Natal - a data de nascimento de Jesus.

A palavra Natal deriva do latim Natale - escrita com a inicial maiúscula quando se refere ao nascimento de Jesus, cujo aniversário teria sido escolhido, segundo boa parte dos estudiosos, para coincidir com a festividade romana do deus Sol. À festa de raízes pagãs foi conferida uma nova linguagem cristã, da mesma forma que alusões ao simbolismo de Cristo como o “sol da justiça” (Malaquias 4:2) e a “luz do mundo” (João 8:12) expressam o sincretismo religioso desta data. Hoje, junto com a Páscoa, o Natal é a celebração mais significativa para a Igreja Católica e cristã em geral, ao mesmo tempo em que é encarado universalmente por vários credos como sendo o dia da reunião da família, da solidariedade e da fraternidade entre as pessoas. No Brasil, as celebrações natalinas já ocorriam com a presença dos jesuítas, no século 16, e eram marcadas por uma festa religiosa tradicional, com a missa do galo, o jantar em família e a montagem de presépios como os momentos mais importantes.

A distribuição de presentes, o Pai Natal ou a árvore natalina seriam introduzidas só nos fins do século 18 no país, quando a festa começa a ser associada à infância. Principalmente após a 1ª guerra mundial (1914) fixam-se os costumes de distribuição de presentes a crianças carentes, mas é provável que famílias de elite e de classe média tenham iniciado as comemorações como as conhecemos hoje antes disso, pelo contacto com países industrializados e protestantes.

De celebração de uma simples missa, o Natal foi substituindo várias festividades em diversos países e passou a incluir um infinito número de tradições. Com o individualismo característico da Reforma Protestante tornou-se uma forma de movimentar a troca de mercadorias e o capitalismo. Também a figura do Pai Natal, calcada em São Nicolau (ver Tradições Natalinas) incorporou práticas do paganismo nórdico. Daí as imagens de neve associadas ao evento e à árvore de Natal .


Prof. Henrique José de Souza

domingo, 6 de dezembro de 2009

Presépio



David 2003

O SIMBOLISMO DO NATAL

Um dos mais belos e significativos acontecimentos do ano é, sem dúvida alguma, o Natal. O mundo cristão comemora nesta data o nascimento de Jesus, o Cristo. Aquele que os cristãos consideram o Salvador do Mundo e que os verdadeiros Teósofos e Ocultistas reconhecem, além do mais, como a manifestação cíclica do Espírito de Verdade, ou seja, como um Avatara Divino. Nessa data, plena de encantamento e de amor, as famílias cristãs se congregam em reuniões as mais íntimas e santas para cultuarem no recesso de seus lares o simbolismo do Natal.
Na noite de 24 para 25 de Dezembro, conhecida há perto de vinte séculos como a Noite de Natal, comemora-se em todo o mundo cristão o nascimento do Menino-Deus, com as manifestações do maior regozijo e da mais pura devoção. Pai-Natal faz nessa noite sua visita tradicional aos petizes, deixando-lhes uma lembrança no sapatinho posto à beira da cama. Nos lares, engalanados com enfeites multicores, há o Presépio e a Árvore de Natal. Desse modo, ano após ano, de uma forma inconsciente e agradável, é transmitida de geração a geração uma tradição extraordinariamente bela, cuja origem se perde na noite dos tempos, anterior mesmo ao advento do Cristianismo.
O simbolismo do Natal oculta transcendentes mistérios. À luz dos conhecimentos eubióticos, procuraremos levantar uma pontinha do denso véu que encobre, aos olhos profanos, tais excelsitudes.
Diz a tradição que o Anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria e Lhe anunciou o nascimento do Filho de Deus.
As religiões de todos os povos possuem as suas Virgens-Mães, Marias ou Mayas que são: Adha-nari, a brâmane; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, dos germanos; Ina, da Oceania; Isa, a japonesa; Ching-Mu, a chinesa, e muitas outras, inclusive a que o nosso tupi denomina de Jaci, "a mãe dos frutos", etc., pois como é sabido, Maria provém de Mare – o Mar – simbolicamente "a grande ilusão". Entre os iorubanos da África, Iemanjá, o orixá feminino, é a mãe d'água ou o próprio mar divinizado, equivalente no seu culto àquilo que em tais religiões simboliza a Virgem Mãe, Ísis, a Lua, desde que Osíris representa o Sol.
Os egípcios acreditavam que o pequeno Hórus era filho de Osireth e de Oset, cujas almas se transformaram respectivamente nas do Sol e da Lua, depois da morte desses personagens.
Os antigos israelitas, muito antes da nossa Era, chamavam a rainha do céu (ou "Regina Coeli") de Mênia, donde se derivou Neomênia (Nova Lua), que vem a ser a mesma Maria (em seus diversos nomes), mãe de Deus encarnado, nos vários cultos religiosos.
Quanto ao lugar do nascimento do Menino Jesus, diz a Igreja que ele se deu em Belém, cidade da Palestina, tendo sido a criança recém nascida colocada numa manjedoura. A palavra Belém é formada de duas letras hebraicas, Beth e Aleph, significando cabalisticamente a Casa de Deus ou Templo de Deus. Este é também o significado da palavra Apta, muitíssimo mais antiga, pois provém da submersa Atlântida, tendo sido o nome de sua oitava cidade, a Shamballah ou "Região dos Deuses", que mantinha a espiritualidade entre as demais cidades que se podem interpretar também como províncias ou países, governadas pelos "Sete Reis de Edom", Reis que eram na Terra as expressões humanas dos Sete Dhyans-Choans. Seria supérfluo assinalar a identidade de sentido entre Edom e Eden, o bíblico Paraíso terrestre.
APTA tem ainda o significado de "creche ", manjedoura , presépio e também "O lugar onde nasce o Sol". O simbolismo do presépio é uma cópia fiel do que existe nos ritos bramânicos, além de outros. Segundo Bournouf, assim se explica sua origem: A cruz Suástica (não confundir com a Sovástica do Nazismo que tem a rotação em sentido contrário, símbolo portanto da involução) é representada por dois pedaços de madeira que, para não se moverem, são cravados com quatro pregos e na junção dos braços da cruz passa uma corda que, pela fricção, produz fogo. O Pai do Fogo Sagrado é o divino carpinteiro Tuashtri, que prepara a cruz e o pramanta que deve gerar o filho divino. A Mãe do Fogo Sagrado é Maya, que equivale à Virgem Maria cristã.
Quando o pequeno Agni nasce (Agni é fogo em sânscrito; Agnus, em latim, é o Cordeiro. "Agnus Dei Qui tollis peccata mundi"...) - é colocado num berço (manjedoura) entre animais, e ao lado fica a Vaca mugidora. Ora, Vach (o mesmo que vaca), em sânscrito significa o Verbo Sagrado, Palavra Criadora ou Logos Criador.
Procuremos agora relacionar esses fatos com aquela conhecida passagem bíblica: "No princípio era o Verbo, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós..."
O sacerdote brâmane toma o pequeno Agni em suas mãos, coloca-o sobre um altar untando-lhe o corpinho com manteiga clarificada, do que se originou a sagrada unção pelos santos óleos adoptada pela Igreja nos baptismos. É justamente quando o menino Agni recebe o nome de Ungido (Iluminado), Akta em sânscrito e Christos, em grego. Torna-se ele resplandecente, pois que tudo em seu redor se ilumina. As trevas desaparecem e os demónios fogem espavoridos ao clarão de sua luz cintilante.
Ele é o Mestre dos mestres e toma o nome de Jâtavâdas: Aquele em quem a Sabedoria é inata.
Como se vê, a tradição da Sagrada Família aqui no Ocidente representada por Jesus, Maria e José (o carpinteiro), se encontra nos Vedas, a escritura sagrada dos hindus, com uma antiguidade de 3100 anos anterior à nossa Era.
A mãe de Krishna, que surgiu na Índia cerca de 3500 anos A.C. se chamava Devaki, linda e virtuosa princesa, irmã do Rei de Madura, em torno da qual se criaram as mesmas lendas relativas a outras Virgens-Mães ou Marias. É curioso também assinalar a estranha semelhança de grafia e de som entre a expressão latina Jesus Christus e Ieseus Krishna...
Escreve Blavatsky em sua Doutrina Secreta: "Desde os rischis indianos até Virgílio, e de Zoroastro à última sibila, todos, sem excepção, desde o começo da Quinta raça-mãe, profetizaram, cantaram e prometeram a volta cíclica da Virgem e o nascimento de uma criança divina, que faria voltar a "Satya Yuga", a idade de ouro sobre a Terra. Logo que as práticas da Lei estiverem na ocasião precisa de terminar o ciclo da "Kali Yuga" (idade negra, em que ainda vivemos), um Aspecto do Ser Divino, que existe em virtude de sua própria natureza espiritual, na pessoa de Brahmâ, e que é o Começo e o Fim (Alfa e Ômega), descerá sobre a Terra. Ele nascerá na Família de Vishnujasha, como um Eminente Filho de Shamballah e Senhor dos oito poderes do Iogui. Por seu imenso poder, destruirá Ele todos aqueles cujo mental é voltado à iniquidade. Então a Justiça se fará na Terra, e os que viverem até o fim da "Kali Yuga", despertarão com o mental transparente e puro como o cristal".

Prof. Henrique José de Souza

Uma mensageira da Theosophia moderna


H.P.Blavatsky

A ORIGEM DA ÁRVORE DE NATAL

O costume da árvore de Natal (1) foi instituído muito recentemente. É de data tardia não só na Rússia, mas também na Alemanha, onde em primeiro lugar se estabeleceu e de onde se espalhou por toda a parte, do Novo como também do Velho Mundo. Em França a árvore de Natal só foi adoptada após a guerra Franco-Germana, posterior portanto a 1870. De acordo com as crónicas Prussianas, o costume de iluminar a árvore de Natal tal como nós vamos encontramos hoje na Alemanha, foi estabelecido acerca de cem anos. Penetrou na Rússia por volta de 1830, e muito cedo foi adoptado através do Império pelas classes mais abastadas.
É muito difícil traçar historicamente este costume. As suas origens pertencem inegavelmente à mais alta antiguidade. Os abetos desde sempre têm sido colocados num lugar de honra pelas mais antigas nações da Europa. Tais como as árvores de folha perene, e os símbolos da vegetação imorredoura, eles sempre foram consagrados às divindades naturais, tais como Pan, Isis e outras. De acordo com o antigo folclore, o pinheiro nasceu do corpo da ninfa Pitys (2) (o nome Grego daquela árvore), a amada dos deuses Pan e Boreas. Durante os festivais vernais em honra da grande deusa da Natureza, os abetos eram trazidos para os templos decorados com fragrantes violetas.
Os antigos povos Nórdicos da Europa tinham uma reverência semelhante pelo pinheiro e pelos abetos em geral, e faziam grande uso deles nos seus numerosos festivais. Assim, por exemplo, é bem conhecido que os sacerdotes pagãos da antiga Germânia, quando celebravam o primeiro estágio do regresso do sol perto do equinócio vernal, seguravam nas suas mãos ramos de pinheiros muito bem ornamentados. E isto aponta para a grande probabilidade do actual costume das árvores de Natal iluminadas serem o eco do costume pagão de considerar o pinheiro como um símbolo de um festival solar, o precursor do nascimento do Sol. Faz sentido que a sua adopção e instituição na Germânia Cristã lhe comunicasse uma nova, por assim dizer, forma Cristã.(3) Daí que recentes lendas – como sempre acontece – expliquem à sua própria maneira a origem do antigo costume. Conhecemos uma dessas lendas, imbuída de uma grande poesia na sua encantadora simplicidade, a qual pretende dar a origem deste agora universal e predominante costume de ornamentar árvores de Natal com velas de cera acesas.
Perto da caverna onde nasceu o Salvador do mundo cresciam três árvores – um pinheiro, uma oliveira e uma palmeira. Naquela véspera santa quando a estrela guia de Belém apareceu nos céus, aquela estrela que anunciou ao mundo longamente sofredor o nascimento Daquele, que trouxe à humanidade as alegres novas de uma esperança abençoada, toda a natureza rejubilou e diz-se que transportou para os pés do Deus-Menino os seus melhores e mais sagrados presentes.
Entre outras a oliveira que crescia à entrada da caverna de Belém deu à luz o seu fruto dourado; a palmeira ofereceu ao Bébé a sua verde e sombria abóbada, com protecção contra o calor e a tempestade; somente o pinheiro nada tinha para oferecer. A pobre árvore permanecia em consternação e pesar, tentando em vão pensar no que poderia apresentar como prenda ao Cristo-Criança. Os seus ramos estavam dolorosamente vergados para baixo, e a intensa agonia da sua dor forçou finalmente que brotasse da sua casca e ramos uma torrente de transparentes lágrimas quentes, cujas abundantes resinosas e pegajosas gotas caíssem espessas e firmes à sua volta. Uma estrela silenciosa, cintilando no dossel azul do céu, apercebeu-se destas lágrimas; e imediatamente, combinando com as suas companheiras – olhai!, um milagre aconteceu. Hostes de estrelas cadentes caíram por terra, tal como uma grande chuvada, sobre o pinheiro até que cintilaram e brilharam em cada agulha, de alto a baixo. Então, tremendo de alegre emoção o pinheiro levantou orgulhosamente os seus ramos caídos e apareceu pela primeira vez, ante os olhos de um mundo maravilhado, no seu mais deslumbrante esplendor. Desde esses tempos, diz-nos a lenda, que o homem adoptou o hábito de ornamentar o pinheiro na Véspera de Natal com inúmeras velas acesas.


H. P. BLAVATSKY

NOTAS:

(1) Este artigo foi originalmente impresso por H .P. Blavatsky em Lucifer, em Março, 1891. A partir de um artigo do Dr. Kaygorodoff em Novoye Vremya.
(2) Uma ninfa amada pelo deus Pan e transformada em abeto. [Ed. Lucifer.]
(3) Tal como no caso de muitos outros costumes, e mesmo dogmas, emprestados e preservados sem o mínimo reconhecimento. Se a fonte não for confessada, é porque à face da pesquisa e da descoberta tal já não poder ser possível.